

Rússia bombardeia Geórgia um dia antes de o Kremlin declarar que o "objetivo da operação para impor a paz foi cumprido"
Resgate trabalha próximo a prédio atingido em bombardeio, em Tkviavi, na Geórgia
O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, anunciou nesta terça-feira a decisão de pôr fim à operação contra a Geórgia em apoio da região separatista da Ossétia do Sul, mesmo com a continuidade dos bombardeios contra o país vizinho.
Em declaração citada pela agência de notícias Interfax, Medvedev afirmou que "o objetivo da operação para impor a paz foi cumprido. A segurança das tropas de paz e dos cidadãos russos está garantida". Ao mesmo tempo, a declaração autorizava as tropas russas posicionadas em território georgeano a reprimir qualquer resistência armada que possa surgir.
Poucas horas antes do anúncio de Medvedev, o centro da cidade georgiana de Gori (25 km ao sul da Ossétia do Sul) foi bombardeado, em um ataque que incendiou dois edifícios. "Os prédios da Universidade de Gori estão em chamas", anunciou o primeiro-ministro georgeano Vladimir Gurgenidze.
A declaração segue um ultimato da Rússia para que o presidente da Geórgia deixasse o cargo e para que as tropas do país abandonassem a região autônoma da Ossétia do Sul. O ministro das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta terça que o presidente georgeano, Mikhail Saakashvili, deveria deixar a cadeira e seu Exército, sair da Ossétia do Sul para o "bem da região".
Segundo Sergei Lavrov, a Rússia não negociaria com Saakashvili e "seria melhor que ele se fosse", em claro apoio à queda do aliado dos Estados Unidos no Cáucaso.
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A crise começou na quinta-feira (7), quando a Geórgia, aliado próximo de Washington, enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região aliada da Rússia que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a secessão do pequeno território, respondeu enviando tropas ao país vizinho.
Cessar-fogo
Medvedev fez o anúncio durante uma reunião com o ministro da Defesa russo, Anatoli Serdyukov, e o chefe do Estado-Maior do Exército do país, Nikolai Makárov.
O fim das operações russas no país vizinho coincide com a visita do presidente francês, Nicolas Sarkozy --cujo país ocupa a presidência rotatória da União Européia--, para tentar mediar o conflito.
Sarkozy viajou a Moscou para se reunir com Medvedev. Depois, o francês seguirá para Tbilisi (capital da Geórgia) para se encontrar com Saakashvili.
Durante diálogo do Conselho de Segurança (CS) das Organizações das Nações Unidas, a França propôs ontem que a entidade adote uma declaração pedindo por um cessar-fogo imediato, o respeito à soberania da Geórgia e o retorno das tropas à posição de uma semana atrás, antes de forças georgianas entrarem na Ossétia do Sul.
Embora a Rússia tenha negado aprovar o cessar-fogo, havia grande chance de o Conselho aceitar a proposta hoje. Os EUA têm pressionado por uma linguagem que condene as ações russas, assim como Reino Unido e França.
Diplomatas do CS disseram ainda que a sessão foi marcada por trocas de acusações entre Irakli Alasania, embaixador da Geórgia na ONU, e Vitaly Churkin, da Rússia. Em encontro a portas fechadas, o Kremlin foi questionado diversas vezes sobre a intenção de derrubar o governo do presidente Mikhail Saakashvili.
A Ossétia do Sul é considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa. A Cruz Vermelha relata que mais de 40 mil refugiados já deixaram a região, enquanto 2.000 pessoas morreram no conflito, segundo dados do governo de Moscou.
A Rússia continuou avançando para além dos territórios separatistas em direção à Geórgia nesta terça, no começo quinto dia do combate. Ontem, o presidente georgiano assinou uma promessa de cessar-fogo, que foi ignorada pelo país vizinho.
Já durante a tarde, Saakashvili garantiu que seu país não se renderá, mesmo que as tropas russas ocupem o território georgiano.
Além da Ossétia do Sul, a Rússia também abriu uma segunda frente para proteger a Abkházia, no oeste da Geórgia. Um oficial do Ministério da Defesa russo disse que o objetivo é "prevenir ataques das unidades militares georgianas contra a Ossétia do Sul [e a Abkházia]".
Com Associated Press e Efe










